terça-feira, agosto 08, 2006

In: Pra quê?

Clipe Rita Ribeiro - Muzak

Tentei me iludir
a-Arrogância
disse delas não preciso
e da poesia e da paixão
tentei em vão me desvencilhar…
Mas como elas ardem
Aqui dentro
Falam, calam e atormentam

Como delas necessito

Como de suas palavras
De seus carinhos
Sempre imagináveis
E ternos e lentos e sôfregos

Em mim, como os desejo…
E como no desejo, sonhei-os intensamente
Como desejo-o e à poesia
Que cala, aqui

Imprevisível,
Inescrivível
São os sentidos
São os desejos

Irredutível
É o tempo

a-Arrogante a incapacidade
de falar-lhe
a respeito.

Rose Barboza, que sem um sim, leva a vida perguntando-se PRA QUÊ?

sexta-feira, julho 28, 2006

É um ser de espantos

José Mederox Sigler
Oggun y la Luna


É um ser de espantos
composto de olhos, boca, cabelos
e outros detalhes inapreensíveis.

É um ser diverso
desses universos
construído de impossíveis anversos,
um universo sem dimensões...

uma lágrima e um destino ...
um ser possível para os impossíveis

São as partes coloridas
da criação em movimento
ao ritmo paralisante da luz.
hora tranqüila
o desassossego.

É um ser dos contrários
e contrárioa a todas as leis - a desarmonia
mais incrível - e mais bela.

É a matéria
em estado puro
que se compõe de fantásticas visões
e se transforma em tempo - o tempo indefinível
da boca entreaberta, dos olhos brilhando, dos dedos trêmulos,
para além do que pode suportar
a frágil estrutura da emoção.

Rose Barboza, que vem escrevendo em dias de sim.

segunda-feira, julho 17, 2006

Dancem Macacos, Dancem

Postado por Lourenço Cardoso.

sábado, julho 15, 2006

Tão perto de mim

Eu cheguei bem perto das estrelas

Na altitude mais escura que pude alcançar
Eu voltei do espaço e subi a montanha mais alta

E fiquei abobado com o clarão da lua
Alumiando, o capim, o chão, a mata, tudo

E peguei uns vagalumes na palma da mão

E passei a noite falando com o universo
Contemplando a natureza, o céu
Repousei, a cabeça sobre uma pedra

Amanheceu, despertei com o canto dos passarinhos

Macacos, saguis e bujius brincavam nas árvores

Me aproximei em silêncio, contemplei a simplicidade
Reparei nas maritacas, nas araras, nos papagaios
Um bem-te-vi me mostrou a casa do joão de barro

Arquitetura, engenhosidade, pureza

Me aproximei de um correguinho: ia pescar

Mas perdi a coragem, dispensei a vara
Poupei a isca, joguei fora o anzol
Me limitei a dar uns mergulhos
Naquele dia não quis matar

Nem uma formiga sequer, uma barata

Eu reparei quanto tempo na vida

Fiquei pensando em fama, sucesso, dinheiro

E agora me dava por conta de que a vida
É tão simples e que pra ser feliz
Basta sentir e viver o amor que é de graça sempre.

Tião Nicomedes, que escreve aqui.

domingo, julho 09, 2006

Sunscreen - Video feito pela DM9DDB

Conselhos são uma forma de nostalgia...
Mas se acreditássemos em um: falaríamos: use filtro solar!

Território dos Sentidos

sábado, julho 08, 2006


Casa de farinha na comunidade Quilombola Conceição dos Caetanos, em Tururu (CE)

O mistério dessa casa deve estar entre águas: aquela que se deixa misturar, para formar da consistência da matéria-prima o produto bege-claro, leve, massa; e daquela que escorre, face abaixo mostrando que nessa mistura alquímica, trabalho e matéria são forjados em um só.

Rose Barboza e a Casa de Farinha, parte I

sexta-feira, julho 07, 2006

Pelo espaço distante

Olê, olê, olêeeeee
O grito universal ecoa
Na arquibancada, cadeiras numeradas
Na geral
Multidão enlouquecida
Vibrando com euforia
Estremece estádio inteiro
A energia que emana
Chega ao espaço sideral
Eu de lá de cima
Bem pra lá de Marte
Nem sei em que galáxia
Provavelmente Andrômeda
Ouvindo nas ondas de rádio
A festança dos terráqueos
Caras pintadas, cabelos
Chegam enfim as imagens
Com a eficácia do satélite lua
Bandeiras de todos os países
Balança meu coração
Emoção faz bater forte
Saudades do lar que um dia tive
Casa, família, amigos, discos e livros
Mas cresci e fui embora, deixando tudo pra trás
Quem eu mais amava partiu pra um mundo tão distante
Peguei uma nave e vim pro espaço infinito
Encontrar motivos pra continuar, vim sozinho na paz de Deus
Venci a solidão, os desejos, o sexo
De nada sinto falta, me encanta o brilho das estrelas
Daqui são gigantescas, de incalculável beleza
Viajo na velocidade dos ventos, do som, da luz, da vontade
Rumo ao desconhecido pra saber se encontro vidas
Mais a cada 300 anos, relembro os tempos da terra
A copa do mundo.

Tião Nicomedes.

quinta-feira, julho 06, 2006


Nunca escrevi sobre futebol.
O máximo que faço quanto ao dito esporte é entre uma olhadela e outra, torcer, gritar e xingar e como não podia ser diferente, ver o “material” que o campo apresenta, E, meninas, gurias, raparigas e gajas: Que material! Não foi assim ontem, confessa-lo-ei.
Estava eu, torradas, patê de presunto, vinho e suco na frente do ecrã. Unhas roídas. Meias-finais da Copa do Mundo, como se diz por aqui. Nervosamente via Miguel correr, Maniche lançar, Cristiano Ronaldo concentrado, sério, maduro. Deco, um gigante, cabecear. Valente, a equipa portuguesa, dominou Zidane, marcado; barrou a velocidade de Thierry Henry e, lá por ironias do destino e, uma certa ajuda da arbitragem, estacou no 1x0, mas não deixou o moral baixar. A França defendeu, defendeu, defendeu e esqueceu-se do contra-ataque, Portugal crescendo, mostrou-nos, inclusive aos brasileiros, como é um show de futebol: bola no peito, no pé, na cabeça, garra, o choro de Miguel, admitindo não poder mais jogar. Vontade de fazer história, de virar o jogo. Meias-finais, Ricardo (guarda-redes) no ataque. Dois minutos, é preciso não desaminar… Mas… Futebol tem disso, e como dizia um amigo, companheiro de blog, essa é a magia, futebol diferente de basquete, vôlei ou o que mais for depende de sorte, de reveses, da ambiguidade, do juiz… Portugal, gigante mostrou garra, maturidade e se projetou frente a uma impassível França, já mítica do mestre Zidane. Jogou futebol, fez seu show.
Contudo, a Marselhesa, mais uma vez, silenciou o som do Fado, deixando aquele gosto amargo.
Nos resta a Alemanha, e ver de novo o jogo bonito dos meninos do Scolari, sem batota, com determinação. Porque sou a favor do show e continuo a acreditar na magia do futebol, vou torcer para Portugal e conclamá-los a engrossar essa torcida!

Rose Barboza, hoje faz às vezes de comentadora futebolística. Por favor, dêem um desconto.

quarta-feira, julho 05, 2006

o macaco está certo!

Amiga preta! Amiga branca!
Amigo preto! Amigo branco!

Felicitações!

Não quero mais tumulto
Espero com paciência minha coleira

Bobeira, polemizar...
A máxima é reformar!

Entrei no Olimpo furioso
como dizem os rappers:
“Cachorro louco!”

INSTITUCIONALIZEI

Passei pela criança de olhos vazados
Não liguei!
Encontrei jesus me curei.

Agora como todos:
digo: amém

Se há racistas?
Não sei

Aprendi
Apreendi...
me curvei....
andei... andei...
fui longe
voltei

Tinha nojo d’outros
Tenho nojo de mim

Quem for racista apresente-se!
Saia de cima do muro,
pois pode cair e
você se ferir
Quem for racista apresente-se!
Não seja tímido!

Vamos resolver o litígio...
no futebol

Eu levarei o pelé e o ronaldinho
E vocês o canhão

Racista!
Irmão!
Apresente-se!
É lícita
a livre expressão

Quando procurei orientação.
Conjunta/Ação
Encontrei... “Vencidos”
“Vendidos”

Disseram: - extermínio é antigo,
“não”/ preto, LAS CASAS

“- Morrer é bom!”
Por isto te matam

“- Viver também é bom!”
Por isto te estupram!

A preta, o preto!
Ou devo dizer com respeito
NEGRA
NEGRO

São...
Estão...
fragmentados
e pretendem se curar

A “curra”
a cura
é branca
O embranquecimento é preto!

Inteligência branca se esquece...
EMBRANQUECER
não deixa de ser...
ESCURECER
A negra, o negro,
“De Nível”
Não tomam parte
São covardes!

Mantêm bens...
que não têm

Evitam conflitos,
lutam em equívocos

Abandonam o deus invisível
Submete-se ao amigo
Não pretendem decepcionar
A amiga o amigo, bonito, que quando o apóia diz:
O MACACO ESTÁ CERTO!



Lourenço Cardoso

Cada ética tem sua ótica!

Se a felicidade é o fim último do ser humano
Eu desejo um mundo onde as pessoas sejam felizes no espaço em que se encontram
Seja territorial, psicológico ou social
Para mim, isso não significa acomodação e sim
A possibilidade da felicidade existir sob outras concepções de mundo
Paralelamente desejo
Que aqueles que almejam outro espaço, tenham condições de buscá-lo
Sem perseguições e pré conceitos
O "status quo" tem que estar em nós
A moral imposta nem sempre corresponde ao desejo social
Cada indivíduo tem sua história, seu contexto
Cada ética tem sua ótica!

Cristiane Colar, enviou esse texto como colaboradora do blog.

terça-feira, julho 04, 2006

Roy Lichtenstein


Difícil
Expressar o quê
Não se sente

Difícil
Interpretar o quê
Não se distingue

Difícil, Distinguível, Sentido...

Rose Barboza, que está tentando escreve por aqui em dias de sim...

domingo, julho 02, 2006

Insurreição e ressurreição Francesas


Enquanto os franceses vivem uma das mais delicadas e tensas crises de identidade , insurgindo-se por meio de conflitos e distúrbios pelas ruas entre cidadãos brancos e pretos, nobres e pobres, a seleção francesa ressurge de forma avassaladora às vésperas da grande final do campeonato mundial de 2006, mostrando-se uma forte candidata ao título.
O fato mais intrigante para mim, um afro-brasileiro que vive entre tensões e crises parecidas, dentro e fora do Brasil, é perceber que para aquela seleção (francesa mestiça) que está a se apresentar no campeonato mundial, a crise parece não existir, pelo contrário, dos onze jogadores em campo na última partida contra o Brasil, sete deles eram negros, inclusive o grande definidor da partida, Thierry Henry.
Enquanto a França quer proibir a imigração dos “cidadãos de segunda classe”, o “lixo humano”, como são chamados os filhos dos imigrantes pelo ministro do Interior, Nicolas Sarkozy (que também é filho de imigrantes), a seleção francesa, inconscientemente, apazigua a situação, para além de dar tapas com luvas de pelica na alta sociedade francesa, como se pedindo respeito e justiça social num país que sempre buscou a hegemonia e ditou moda.
É lamentável que algumas autoridades e uma larga parcela da sociedade no mundo ainda não se deram conta do multiculturalismo que vivemos, fruto do próprio colonialismo autoritário praticado pelos “heróis” do passado. Heróico seria se seus descendentes assumissem o (mal) feito e reparassem os erros, sem extermínios, genocídios, sem exclusões.
Entre as insurreições e ressurreições, espera-se chegar na redenção para todo o bem da humanidade, sobretudo da França. Em um momento como este, no qual o mundo respira futebol, espera-se que a seleção francesa, aquela mestiça do Thierry Henry, do Saha e do Zidane, possa servir de exemplo para aqueles que os governam. Desejo boa sorte aos franceses, que eles sejam campeões da justiça, da igualdade e da fraternidade.
Cor Di Ébano.

quinta-feira, junho 29, 2006

Disco Voador

Ontem fui conhecer Marte
Contemplei de perto
O brilho das estrelas
Os asteróides, os meteoros
Um cometa radiante
Vestido de noiva
Cortava os céus
Rumo ao outro que vinha
Na sua rota, ao seu encontro
O noivo reluzente
O choque
Do cruzamento explosivo
Nasceu uma constelação
Desviei por instantes o olhar
Atenção voltada para a terra
E vi que mais parecia
Uma grande bola azul
Talvez por isso mesmo
O povo que habita esse lugar
Goste tanto de futebol


Tião Nicomedes

terça-feira, junho 27, 2006

Reflexões em torno de duas amigas


Estava hoje, pela manhã, pensando no que faz duas pessoas serem amigas…
Pensei, pensei e descobri que respostas não vêm prontas: para serem amigas, duas pessoas tiveram que dar um primeiro passo em direção à algo que ambas desconheciam…
Para serem amigas duas pessoas teriam que ter um encontro com o outro no outro, ou seja, precisariam, antes de si, colocar o outro na frente, dando-lhe voz, ouvidos e ombros.
Para serem amigas duas pessoas teriam que dar as mãos para o que em nós clama por atenção, mas se deixa e se abandona um pouco ao esperar pelo outro.
Teriam que assim proporcionar uma alquimia do brincar, do estar só, uma alquimia do choro que se transforma em riso, por meio de uma palavra, por meio de um pensamento mais ou menos igual…
Para serem amigas duas pessoas teriam que aprender admirar no outro não só o que no outro lhe agrada e lhe faz crescer, mas também no que no outro pesa e nos faz zangar.
Amizade é estar com o outro também e apesar de…
É ver no outro aquilo que nos afasta, mas tentar assim sempre e mais nos aproximar.
Duas pessoas para serem amigas têm que compreender que o sofrimento do outro, passa a ser também sofrimento seu e por isso a preocupação em cuidar, em escolher palavras para falar.
Duas pessoas para serem amigas têm que ter descoberto com o outro aquilo que nelas é preciso mudar e fazer disso um exercício cotidiano de aprendizado e evolução!
Obrigada!
Rose Barboza hoje faz um agradecimento coletivo, a partir de uma homenagem individual à aniversarinate, aos seus amigos que a ajudam a continuar!

segunda-feira, junho 26, 2006

Qual o verdadeiro valor das coisas?


Há muito venho me fazendo esta pergunta e sempre me deparo com respostas um tanto quanto distantes das coisas tangíveis.
Costumo dizer que a coisa mais importante pra nós é aquela que mais carecemos naquele exato instante em que mais a desejamos. Partindo dessa premissa, há inúmeros desejos que não necessitamos de dinheiro ou coisa parecida para obtermos, e outras que, por mais poder financeiro tenhamos, não vai nos fazer atingir tais objectivos.
O valor subjectivo das coisas, ou pelo menos de certas coisas é tamanho que nem sempre sabemos expressar os nossos sentimentos e satisfações pelo fato de termos conseguido obtê-los ou vivenciá-los, e aí cabe uma explicação, pois nesse âmbito, há coisas que temos que conquistar, adquirir ou vivenciar que não seja tangível e nos faz saltitar de alegria a ponto de expressarmos frase do tipo “poderia morrer agora que morreria feliz!”
Acredito que seja o que está acontecendo com os portugueses agora depois da vitória contra a Holanda. Jamais a seleção lusitana havia ficado entre as oito melhores seleções em um mundial. O último feito, incomparável com o momento actual, foi em 1966, e, naquela altura, era também dirigida por um técnico brasileiro.
Após o jogo, os “Tugas” tomaram a praça da Marques de Pombal da capital Lisboa e puseram-se a comemorar com seus gritos de guerra que por muito tempo encontravam-se entalados nas gargantas. Necessitavam mais que gritos de golo, queriam e desejavam gritos que lavasse suas almas, que elevasse sua estima por mais efêmero e volátil venha a ser, mas tinha que ser deliciado, saboreado como um bom vinho do porto, doce, licoroso, prazeroso momentâneo.
É certo que não foi uma final de um mundial, mas para eles, posso afirmar diante do que presenciei, estar entre os oito melhores do mundo significa um título, o que não deixa de ser. Significa um mérito inédito, um feito bravo e heróico como foi o do Marquês que reconstruiu a cidade após o terremoto de 1775, coincidência ou não, foi a praça escolhida por eles para celebrarem mais uma vitória.
Para alguns, pode ter parecido exagero tal comemoração, afinal não foi um resultado final e sim a conquista para estar na próxima etapa, enquanto para outros, talvez, possa ter parecido precipitação.
Só sei que tais demonstrações de alegria e catarse por parte daqueles torcedores encheram-me os olhos a ponto de me fazer recorrer mais uma vez à pergunta que intitula esse singelo texto : Qual o verdadeiro valor das coisas?

Cor Di Ébano.